“Construímos muros demais e pontes de menos.” (Isaac Newton)
*Valéria Barrio Novo Gonçalves
Vocês conhecem o termo “Síndrome da Cabana”? A síndrome da cabana é um distúrbio psicológico que gera controvérsias no meio científico. Os primeiros relatos associados a ela foram nos anos de 1900, período em que trabalhadores norte-americanos passavam longos períodos em cabanas a espera do inverno passar e ao fim da estação, sentiam enorme dificuldade de retomar o convívio social.
Deste modo, entendemos que é um fenômeno psicológico de natureza fóbico-ansiosa e que está relacionada a um medo excessivo e desproporcional de sair de um ambiente onde se estivera longamente confinado.
Sabemos que a pandemia da covid-19 tem afetado a saúde mental da grande maioria da população e podemos identificar uma relação entre a pandemia e a síndrome da cabana. A síndrome está relacionada aos fenômenos que ocorrem em nosso corpo quando somos expostos a mudanças bruscas de rotina e de comportamento.
Quando pensamos de tal maneira, percebemos que o isolamento social imposto pela pandemia da covid-19 nos obrigou a nos adaptarmos de forma extremamente rápida a uma nova rotina diária e a um novo estilo de vida sem que tivéssemos conhecimento do que estava acontecendo e sequer controle da situação. Simplesmente tivemos que sair da “zona de conforto” em que vivíamos sem ao menos saber como e quando isso iria acabar. E é justamente a necessidade de ficar em casa, isolado que gera os principais sintomas da síndrome.
A síndrome da cabana não pode ser confundida com problemas como depressão e ansiedade. Portanto sempre que você sentir alterações significativas em seu comportamento ou de pessoas próximas a você, a orientação é buscar auxílio médico.
Principais sintomas
- sentimento de angústia;
- perda ou ganho de apetite;
- inquietação;
- falta de motivação;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração;
- dificuldade para dormir ou excesso de sono;
- desconfiança das pessoas;
- tristeza persistente;
- taquicardia;
- sudorese;
- tontura;
- falta de ar.
Ressaltando que estes sintomas podem representar outros problemas de saúde e sempre se faz necessário o auxílio profissional de saúde para identificar a causa.
Quando procurar ajuda?
Se você identificar que os desafios estão sendo complicados demais e atividades simples do cotidiano estão se tornando um transtorno para serem realizadas, então é hora de buscar a ajuda de um profissional. Além de fazer um diagnóstico adequado, os profissionais vão acompanhar a sua evolução, mostrando como lidar com sentimentos e pensamentos que o paralisam.
O momento é delicado para todas as pessoas, e os efeitos da pandemia ainda devem ser sentidos por um longo período. Precisamos nos adaptar à realidade que nos foi imposta e buscar formas de conviver com a situação.
Dicas para quem não quer sair de casa ou tem medo de se contaminar
A primeira coisa é saber que fobias como a síndrome da cabana têm sua origem em uma crença falsa de impotência e desproteção. Então se o medo é irreal, não faz sentido de forma objetiva.
A segunda é ter conhecimento de que o uso correto de máscaras, a higiene das mãos, não aglomerar e principalmente se vacinar contra a covid-19, nos dá uma proteção eficaz quanto à contaminação pelo coronavirus.
A terceira é meditar e treinar técnicas de respiração capazes de ativar a área do sistema nervoso responsável por ativar as substâncias que vão promover calma ao organismo.
E por fim, ainda que confinado, buscar atividades ao ar livre, o que levará você a se acostumar com o ambiente externo e aos poucos irá se sentir mais leve e seguro.
Todo e qualquer transtorno tem cura e pode se retomar a vida com qualidade, portanto, respeite o luto, respeite as dores, proteja-se, vacine-se e da melhor forma possível retome a sua vida com segurança.
*Valéria Barrio Novo Gonçalves

Graduada em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior e pós-graduada em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sempre foi apaixonada pelo tema do envelhecimento. Pós-graduada em Gerontologia na Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), realizou cursos como de Estimulação Cognitiva para Idosos pela Associação Brasileira de Gerontologia (ABG).
A colunista do blog Nova Maturidade é responsável pela Cuidare Santo Amaro, uma franquia de Cuidadores de Pessoas – idosos, adultos e crianças, com ou sem necessidades especiais. Para conhecer mais sobre a Cuidare Santo Amaro, entre em contato pelos telefones (11) 4281-2717 ou (11) 93435-1977 ou pelo e-mail santoamaro@cuidarebr.com.br.
Parabéns pela excelente matéria. Certamente, muitas pessoas estão passando por essa situação.