Sabrina Aparecida da Silva e profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva*
Além de ajudar a passar o tempo e a se divertir, os filmes e animações são excelentes recursos educativos para a compreensão de importantes temas presentes em nossa sociedade, como a Doença de Alzheimer (DA). Trata-se de uma doença neurodegenerativa e progressiva, que acomete principalmente pessoas com 60 anos ou mais, e caracteriza-se por declínio nas habilidades cognitivas e comportamentais, com prejuízo das habilidades visuoespaciais, das funções executivas, da linguagem, com acometimento mais intenso da memória recente e de curto prazo.
No mundo cinematográfico existem curtas-metragem que retratam com sensibilidade a consequência da DA na vida dos pacientes, familiares e cuidadores, demonstrando a importância dos vínculos afetivos para maior promoção de bem estar biopsicossocial do paciente durante a fase de intervenção farmacológica e não farmacológica.
Premiado em 20 festivais ao redor do mundo, a animação brasileira “Napo” disponível gratuitamente no Youtube, em formato de curta-metragem, relata a história de Napo, uma pessoa idosa que por conta do agravamento da Doença de Alzheimer vai morar com sua filha Lenita e seu neto João. Enquanto se esquece cada vez mais das coisas que viveu, o neto através de fotografias e desenhos resgata algumas memória da vida do Sr. Napo.
A história propõe uma excelente reflexão sobre a importância e os benefícios das trocas entre gerações, além da importância de se valorizar a história de vida da pessoa idosa e suas particularidades. Algumas atividades com fotografias utilizadas no tratamento não farmacológico, como a estimulação cognitiva, auxiliam no resgate de momentos vivenciados pelo o indivíduo, e no desempenho cognitivo.
A estimulação cognitiva é um tipo de terapia que envolve estímulos para a cognição, seu principal objetivo é melhorar ou preservar os desempenhos dos domínios cognitivos (memória, atenção, raciocínio, linguagem, funções executivas, entre outros). Os benefícios são muitos, entre eles o auxílio na orientação tempo-espaço, diminuição de comportamentos de agitação e na capacidade de manter a atenção.
Propor atividades significativas que preencham a rotina do indivíduo com DA é muito importante para a qualidade de vida do paciente e cuidadores.
Autoras

Sabrina Aparecida da Silva
Estudante da graduação do curso de bacharelado em Gerontologia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Monitora da oficina USP60+: “Estimulação cognitiva para idosos com ênfase em memória”. Atuou também como monitora na oficina: “Plataforma supera online: a estimulação cognitiva para a promoção do envelhecimento ativo”. Integrante do grupo de pesquisa de indicadores de vacinação em idosos 80+ com comorbidades (PIVIC80+).
Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva
Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do curso de Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É assessora científica e consultora do Método Supera.
(Imagem principal: Divulgação)