A proposta é falarmos de qualidade de vida, mas, não podemos ignorar os muitos desafios da população idosa. E quem sobreviveu a violências por sua condição financeira, e também por ser mulher, assim é Laura, personagem interpretada por Maria Amélia Montoni, na peça “Se tivéssemos tempo”.
Estreante aos 73 anos, ela rouba a cena no espetáculo, criado pelo dramaturgo e escritor Nelson Albissú há 30 anos. (Albissú morreu em dezembro de 2016, aos 68 anos, quando também era coordenador municipal do Idoso na Prefeitura de Mogi das Cruzes).
Uma vida sofrida, com o abandono dos filhos, as lembranças torturantes da infância pobre e da violência nas mãos do marido, a fizeram dura, irônica, em seu conturbado relacionado com Eugênio Montanaro, vivido por Gil Fuentes desde a primeira encenação. O homem que se apega a importância do sobrenome sofre com a fragilidade do corpo depois de um derrame. Suas lembranças de uma infância feliz se confundem com o tratamento recebido após a doença, como se sua condição de idoso e doente como sinônimo de impotência diante da vida. Como ele mesmo diz: “Respirar não é viver”.
Outros dramas se apresentam no palco como o alcoolismo, a dependência da aposentadoria, contrastando com a leveza em alguns momentos, até a grande cena final.
